"Não me surpreenderia, com efeito, fosse verdade o que disse Eurípedes: Quem sabe a vida é uma morte, e a morte uma vida?" - de Górgias - diálogo de Platão
"Uma vida completa deve ser aquela que termina em uma identificação tão plena com o não-próprio que não há mais nada próprio a morrer" - Bernard Berenson
"Nem todos têm um destino: apenas o herói que estendeu a mão para tocá-lo e conseguiu retornar - trazendo o anel" - O Herói de Mil Faces - Joseph Campbell
Isso mesmo que você leu. Sem me perder em explicações, passei por um longo processo de mudança que culminou com o meu adoecimento, que foi agudo e grave. Eu, que era médico intensivista, fui para a UTI, desta vez, como paciente. Sem mais a dizer, morri.
Assim encerro esse blog. Que considero valer pelo testemunho de experiências que vivi, que se referem ao processo do meu despertar. Que vale algo se funcionou como um chamado para o leitor, se fez com que ele escutasse esse chamado à aventura. Vale pelo que serviu de arauto à vinda do herói, do herói-leitor.
Ademais, as idéias expostas, as minhas idéias de antes, não valem a pena. Como morto, desisti de ter razão - aliás, acho que eu nunca quis ter razão. Peço apenas a compreensão de todos por tudo o que fiz - não tive razão! Agora, com a minha morte, podemos permanecer todos em paz!
"A gente morre é para provar que não teve razão." - Os chapéus transeuntes - Estas estórias - João Guimarães Rosa
"Entre a verdade e a busca por ela, prefiro a última." - Bernard Berenson
Por favor, não me procurem, deixem-me onde estou, além do Rio Lethos, o Rio do Esquecimento. Paguei o tributo a Caronte. Agora estou onde sou, novamente.
"... eu não tinha licença de não me ser..." - jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
"Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."- jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
"E o que era que eu queria? Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era - ficar sendo!" - jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
Um novo chamado me aguarda, ou eu aguardo um novo chamado, dá no mesmo. Um período de latência daquilo que constituirá um novo testemunho se inicia. O que me importa agora é estudar a literatura segundo o que define Umberto Eco:
A literatura é educação para a morte.
Ao leitor, deixo esse conselho, retirado da boca de Nietzsche: Vive como se o dia tivesse chegado!
"E agora, ó sacerdotes, eu vos deixo; todos os constituintes do ser são transitórios; trabalhai a vossa salvação com diligência." - últimas palavras de Tathagata, ou Buda Iluminado.
sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Nasceu o Miguel!
Estava na maternidade observando os enfeites: como podem os pais, com aqueles enfeites de boas-vindas aos nasciturnos, de corintiano, são paulino, já cruelmente iniciar os pequeninos nessas atrocidades sociais que inventamos, para separar as pessoas? Que ele precisa ser isso ou aquilo - que bobagem!
Tenho cada vez mais descrença e até aversão a essas denominações. Corinthiano, católico, brasileiro, maçon, membro do grupo X/Y/Z. Parece que cada um quer se enfiar numa festa legal só para ter o estranho prazer de observar o segurança na porta fiscalizando a entrada, barrando gente e garantindo o acesso só aos "escolhidos".
O mundo foi feito sem porteiras. Porque transformá-lo em uma vastidão cercada por milhões de denominações? Isso não contribui só para limitar a nossa liberdade e segregar semelhantes? Existe hoje ainda escravidão?
Argumentei algo parecido com a Antonela. E olhei para o lado e vi o Miguel com a roupinha da foto. E pensei: olha só, eu criticando aquele que põe roupinha de corinthiano e o Miguel com a de "Futuro Motociclista"... Será que a gente só consegue identificar e criticar nos outros aquilo que existe dentro de nós mesmos?
Mas eu tenho uma palavra em minha defesa, e na defesa do Miguel, caso ele venha a ser um Futuro Motociclista (assim como o Vítor, que usou a mesma peça de roupa na maternidade): o ideal envolto em ser um verdadeiro motociclista é exatamente o da liberdade!
Miguel, seja bem-vindo, ao mundo! Seja o que você quiser ser, preservando a sua natureza indômita!
"Digo ao senhor: e foi nascendo menino. (...) Alto eu disse, no meu despedir: -"Minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar!..." - e saí para as luas." - jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
Tenho cada vez mais descrença e até aversão a essas denominações. Corinthiano, católico, brasileiro, maçon, membro do grupo X/Y/Z. Parece que cada um quer se enfiar numa festa legal só para ter o estranho prazer de observar o segurança na porta fiscalizando a entrada, barrando gente e garantindo o acesso só aos "escolhidos".
O mundo foi feito sem porteiras. Porque transformá-lo em uma vastidão cercada por milhões de denominações? Isso não contribui só para limitar a nossa liberdade e segregar semelhantes? Existe hoje ainda escravidão?
Argumentei algo parecido com a Antonela. E olhei para o lado e vi o Miguel com a roupinha da foto. E pensei: olha só, eu criticando aquele que põe roupinha de corinthiano e o Miguel com a de "Futuro Motociclista"... Será que a gente só consegue identificar e criticar nos outros aquilo que existe dentro de nós mesmos?
Mas eu tenho uma palavra em minha defesa, e na defesa do Miguel, caso ele venha a ser um Futuro Motociclista (assim como o Vítor, que usou a mesma peça de roupa na maternidade): o ideal envolto em ser um verdadeiro motociclista é exatamente o da liberdade!
Miguel, seja bem-vindo, ao mundo! Seja o que você quiser ser, preservando a sua natureza indômita!
"Digo ao senhor: e foi nascendo menino. (...) Alto eu disse, no meu despedir: -"Minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar!..." - e saí para as luas." - jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Nós, o pequeno andino, seu pai, o grande tigre e a nossa condição
Subimos, nesse dia, praticamente do nível do mar, em Tacna, sul do Peru, até o altiplano peruano na cordilheira dos Andes, a quase 5 mil metros sobre o nível do mar.
Passamos, a caminho de Nossa Senhora de Copacabana, na Bolívia, por Desaguadero, um vilarejo pequeno que ninguém conhece, na margem peruana de um braço do lago Titicaca. Para adentrar na Bolívia, atravessamos pela aduana deYunguyo.
Tudo lá é muito bonito e sinistro ao mesmo tempo.
Já esteve o senhor em Desaguadero, Yunguyo, Nossa Senhora de Copacabana?
Consegue imaginar como é um vilarejo por lá? Como é um posto de gasolina, ter a sua moto abastecida por uma chola? Consegue imaginar como é passar por uma aduana naqueles confins?
Não conseguimos em geral antecipar o que nos espera. Apesar de haver projetado de antemão que chegaríamos lá, de ter lido muito a respeito, que escalaríamos brutalmente a cordilheira até uma altitude difícil de imaginar em algumas poucas horas, fomos pegos de surpresa pela realidade da concretização de mais uma etapa magnífica da viagem.
Meses antes, durante a preparação, eu sonhei que escalava uma montanha enorme, e lá em cima, terminando de subir uma escada apoiada na enconsta, dei de cara com um tigre enorme que rugia ferozmente a centímetros da minha face - a ponto que eu conseguia sentir o seu hálito - sem, contudo, me atacar propriamente. E eu permaneci algum tempo assim, vivenciando oniricamente o assustador animal na iminência de me exterminar...
Nesse dia, quando atingimos o platô altiplânico, em algum lugar mais próximo do céu em sua concepção bíblica, mitológica, pessoal e real que de qualquer outra localidade fisicamente identificável, avistávamos bem à nossa frente uma muralha de nuvens negras.
Era o tigre da cordilheira rugindo. Uma tempestade que se aproximava.
Já enfrentou o senhor, de moto, uma tempestade na cordilheira?
Paramos a moto para nos acercarmos de que nossas roupas e o equipamento estariam preparados para o confronto.
Descer da moto e realizar alguns simples movimentos cansavam demasiado. Era o ar terrivelmente gélido e rarefeito.
A paisagem era de uma estepe colinada com elevações maiores além ao horizonte nos acercando. Algumas lhamas indicavam a possibilidade de dois pastores, pai e filho, que do vazio desse paraíso onírico assustador materializaram-se para vir ter conosco.
O menino, uns 8 anos, sorria e nos falava animadamente. Um pequeno andino. O pai, se acercou, e começou a falar de tudo o que havia lá. Lugares que nunca conhecemos, nem concebíamos possíveis ali: lagoas, águas termais, a casa onde moravam, coisas da natureza inóspita local.
Por detrás dele, o tigre rugindo, a tempestade se aproximando. E o ar que faltava.
A recepção ao portal do enfrentamento dos meus limites como animal humano piloto de moto e da natureza inóspita foi, assim, extremamente familiar. Pai e filho acalorada e animadamente nos recepcionavam. Sentia-me estranhamente acolhido por aquele cenário celestial assustador.
Por que as coisas aconteceram assim? Minha vulnerabilidade mostrou claramente o quanto a minha essência existencial, de homem de cidade, estudado, pós-graduado, era próxima daquele pequeno andino que sorria na nossa frente, e do seu pai.
Já viveu o senhor algo parecido? Existe verdade maior do que essa?
O Risco da Aventura (Joseph Campbell)
Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a percorreram antes de nós, o labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas que seguir a trilha do herói e lá, onde esperávamos encontrar um monstro, encontraremos um Deus; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o longe, viajaremos para o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos estar sozinhos, estaremos na companhia do mundo inteiro.
Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a percorreram antes de nós, o labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas que seguir a trilha do herói e lá, onde esperávamos encontrar um monstro, encontraremos um Deus; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o longe, viajaremos para o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos estar sozinhos, estaremos na companhia do mundo inteiro.
sábado, 2 de julho de 2011
E o que faltou para visitar?
Cachoeira de Santa Bárbara - Cavalcante - próximo ao Quilombo dos Kalungas (eu não fui!)
Faltou dizer algo importante: para variar, faltou muito o que visitar.
Poderia ter passado por Goiás e por Pirenópolis. Em Goiás teve a Cavalhada (festival folclórico) e o FICA (Festival Internacional de Cinema Ambiental). No FICA teve Show do ManuChao. Eu não estive lá. Eu não vi o Show...
Ao redor da Chapada dos Veadeiros, muitos lugares legais para visitar (que eu não fui). Tem Colinas do Sul para visitar. Tem Cavalcante para visitar. Tem Niquelândia para visitar.
Cachoeiras e trilhas sem fim. Por exemplo, perto de Cavalcante, muita coisa legal. Vá para o Quilombo dos Kalungas, e seja guiado por um quilombola para uma das paisagens da região. Visite o Rio Tocantins (sim, na região, você estará na Bacia do Rio Tocantins).
É sempre assim. Razões para voltar.
Final da Jornada pelo Sertão Goiano!
[foto de vereda e buritizal - Beira da Chapada dos Veadeiros]
"Me deu saudade de algum buritizal, na ida duma vereda em capim tem-te verde, termo de chapada. Saudades, dessas que respondem ao vento; saudades dos Gerais. O senhor vê: o remôo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio põe no colo. Eu sou donde eu nasci. Sou de outros lugares." - jagunço Riobaldo - Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa
Prezados leitores, fim da jornada!
Voltei para casa são e salvo depois dessa jornada, um total de pouco mais de 3 mil Km. Coisa pouca, nada de mais, tem muita coisa legal para ser vista pertinho da gente.
Gostei muito de Goiás, dos Goianos, e de ter a oportunidade de passear pelo sertão novamente. Pois ali não é sertão?
Muita coisa bonita eu vi, retornei revigorado! Em casa me esperando a Antonela, o Vítor e o pequenino Etcétera na barriga na mamãe.
Tirei do bauleto o doce de Buriti. Dei para a Antonela provar. Ela gostou. O Miguilim é que gostava de doce de Buriti.
Vivam e viajem! Viajem e vivam!
"O que muito viaja aumenta a sua sagacidade. Muita coisa vi nas minhas viagens, o meu conhecimento é maior do que as minhas palavras." - Eclesiástico 34, 10-11
Quarta-feira: de Catalão para... CASA! V-Strom non-stoppable!
Continuando a saga, ontem segui até Catalão e o penu segurou a pressão até o Hotel onde fiquei, na margem do trevo para Uberlândia.
Acordei hoje de manhã e chequei a calibragem - foi de 42 libras para 30 libras durante a noite. Perfeito o reparo não estava...
Que fazer? Levar para um borracheiro refazer o reparo? Trocar o pneu em Uberlândia? [ontem tinha ficado com a mesma dúvida ao chegar perto de Brasília, mas como o pneu estava segurando a pressão achei melhor seguir adiante] Seguir adiante?
Bom, FACA NA CAVEIRA, calibrei no posto e resolvi seguir adiante... Afinal de contas, tinha 800 km para rodar hoje, sem muito tempo a perder. O duro é que, numa situação dessas, você fica na nóia achando que o pneu está murchando a todo tempo, parava a cada 100 - 200 Km para checar a calibragem (lógico, tinha o meu calibrador de caneta), às vezes antes por alguma sensação esquisita na moto (e nessas situações, o tempo todo você acha que a moto está esquisita...). Stresse danado.
Encurtando a história, cheguei em São Paulo sem precisar encher o pneu novamente. O reparo aguentou... Agradeço a minha V-Strom, minha Vermelhinha, NON-STOPPABLE!!!!!
MENSAGENS DE OURO DESSA ROUBADA:
PRIMEIRA
Nunca, nunca faça seguro com o Banco do Brasil. Eles não sabem que MOTO não tem Step! Ao inferno com eles!
SEGUNDA
Cheguei à conclusão que não vale a pena carregar os cilindros de CO2. Porque o gás pode vazar e te deixar na mão. Quando funciona é uma maravilha (uma vez eu usei e foi moleza botar a moto para rodar de novo) mas se tá vazio, você tá na roça.
É um dispositivo pesado, volumoso e não-confiável. Relação de fatores desfavorável.
Vou voltar a levar a minha super bomba de bicicleta. Tenho uma pequena de boa qualidade. Ocupa pouco espaço, leve e confiável (relação de fatores favorável). Ok, dá mais trabalho para encher, mas você enche.
[já fiz um teste com ela, murchei os dois pneus da V-Strom e em 40 minutos deixei os dois com 36 libras]
TERCEIRA
Um Rodoar e um irmão na estrada podem salvar a sua pele. Obrigado, Sr. Ivan. espero que um dia o senhor passe por aqui!
QUARTA
Quando uma coisa dá errado, se você estiver vivo, sempre tem um jeito para contornar o enrosco.
Acordei hoje de manhã e chequei a calibragem - foi de 42 libras para 30 libras durante a noite. Perfeito o reparo não estava...
Que fazer? Levar para um borracheiro refazer o reparo? Trocar o pneu em Uberlândia? [ontem tinha ficado com a mesma dúvida ao chegar perto de Brasília, mas como o pneu estava segurando a pressão achei melhor seguir adiante] Seguir adiante?
Bom, FACA NA CAVEIRA, calibrei no posto e resolvi seguir adiante... Afinal de contas, tinha 800 km para rodar hoje, sem muito tempo a perder. O duro é que, numa situação dessas, você fica na nóia achando que o pneu está murchando a todo tempo, parava a cada 100 - 200 Km para checar a calibragem (lógico, tinha o meu calibrador de caneta), às vezes antes por alguma sensação esquisita na moto (e nessas situações, o tempo todo você acha que a moto está esquisita...). Stresse danado.
Encurtando a história, cheguei em São Paulo sem precisar encher o pneu novamente. O reparo aguentou... Agradeço a minha V-Strom, minha Vermelhinha, NON-STOPPABLE!!!!!
MENSAGENS DE OURO DESSA ROUBADA:
PRIMEIRA
Nunca, nunca faça seguro com o Banco do Brasil. Eles não sabem que MOTO não tem Step! Ao inferno com eles!
SEGUNDA
Cheguei à conclusão que não vale a pena carregar os cilindros de CO2. Porque o gás pode vazar e te deixar na mão. Quando funciona é uma maravilha (uma vez eu usei e foi moleza botar a moto para rodar de novo) mas se tá vazio, você tá na roça.
É um dispositivo pesado, volumoso e não-confiável. Relação de fatores desfavorável.
Vou voltar a levar a minha super bomba de bicicleta. Tenho uma pequena de boa qualidade. Ocupa pouco espaço, leve e confiável (relação de fatores favorável). Ok, dá mais trabalho para encher, mas você enche.
[já fiz um teste com ela, murchei os dois pneus da V-Strom e em 40 minutos deixei os dois com 36 libras]
TERCEIRA
Um Rodoar e um irmão na estrada podem salvar a sua pele. Obrigado, Sr. Ivan. espero que um dia o senhor passe por aqui!
QUARTA
Quando uma coisa dá errado, se você estiver vivo, sempre tem um jeito para contornar o enrosco.
Terça-feira: tinha um prego no meio do caminho...
Hoje acordei para fazer algo que queria fazer ontem mas não deu tempo e a Matula e as cachaças do Waldomiro não deixaram: visitar o Vale da Lua.
Saindo de São Jorge em direção a Alto Paraíso, caminho bem sinalizado, depois de uns 10 km de terra estacionei a moto e, depois de uma leve caminhada, cheguei ao Vale da Lua. A paisagem explica o nome, belas paisagens com várias piscinas para banho. Dei o meu último mergulho nesse rolê pelo Sertão Goiano.
Como daqui prá casa seriam cerca de 1400 Km, com data de retorno máximo para quarta-feira, resolvi iniciar a volta hoje mesmo. Chegando do Vale da Lua, fiz o check-out na Pousada Trilha Violeta (que vai deixar saudades) e comecei o retorno. Parada em Alto Paraíso para abastecer, calibrar os pneus (que eu tinha murchado para rodar melhor na terra), limpar e lubrificar a corrente. Saí do posto cerca de meio-dia.
Passando São João da Aliança, no meio do NADA, sensação estranha na roda traseira, encostei num lugar esquisito da estrada para checar, não deu outra: pneu traseiro furado.
Com dificuldade, em um local sem acostamento (meio transição da pista com o matagal onde deveria ser o acostamento), coloquei a moto no cavalete central para avaliar o dano: um ROMBO do calibre do meu dedo mínino (quase 1 cm de diâmetro) no pneu.
Com uma fraqueza enorme, peguei o meu kit de reparo de pneus (levei dois, e por sorte, intuição ou seja lá por que motivo, um tinha reparos mais grossos para furos maiores e cola vulcanizante). Limei o furo e inseri o reparo. Cortei o excesso. Peguei o meu cilindro de CO2 para encher o pneu. Moleza!
O único problema é que... o cilindro estava VAZIO! Shit! [tenho ouvido vários relatos de problemas com as válvulas desses cilindros, fui mais uma vítima!]
Pneu reparado sem ter como encher. No meio do nada. Lugar de dar medo. E agora?
Vou ligar para o guincho da seguradora MAS - sem sinal de celular!
Faço sinal e uma pick-up pára. O dono gentilmente me empresta o seu celular para ligar (que tinha sinal, evidentemente) - e no 0800 do Banco do Brasil (nunca mais faço seguro com eles!) me informam que não poderiam mandar socorro por se tratar de dano pneumático. Simples assim eles deixam o segurado, em situação desesperadora, na mão, sem o menor pingo de dor na consciência. Como o celular era emprestado, nem perdi o meu tempo mandando o atendente para onde devia mandar. Afinal de contas, ele devia estar se sentindo bem seguro em uma sala com ar condicionado, no Rio de Janeiro (todos os atendendtes do Banco do Brasil que eu já falei tem sotaque carioca).
Na seqüência, pedi socorro para um caminhão que tinha Rodoar (aquele sistema que enche o pneu dos caminhões em viagem). Foi difícil para adaptar o Rodoar na válvula Schrader do pneu (precisou de um adaptador especial que por sorte o caminhoneiro tinha na caixa de ferramentas). Mas deu certo: sucesso! Pneu reparado e cheio!
Se não fosse o Sr. Ivan, o caminhoneiro, o meu anjo da guarda do dia, eu tava lascado. Olhando para trás agora que deu tudo certo, agradeço ao Altíssimo a ajuda imprescindível do Sr. Ivan, e espero que o Banco do Brasil vá à falência (se depender de mim vai, ô seguradora ruim de assistência) e que o atendente que me largou na mão arda no mármore do inferno. Ou não, uma vez que se ficasse esperando o guincho lá provavelmente ficaria horas parado naquele lugar ermo e inseguro... [na prática, não fez diferença ter ou não ter acesso a socorro mecânico]
Não fosse o Sr. Ivan, eu provavelmente teria que tirar a roda traseira, pegar uma carona, ir até um posto para encher o pneu e pegar uma carona de volta, largando a moto na beira da estrada... Bom, pelo menos assim a moto poderia ser roubada, e pelo menos assim o Banco do Brasil ia se dar mal (ou iam inventar alguma para não me pagar, do jeito que são filhos da p...). Detalhe: posto, só 50 km para trás ou 50 km para frente...
Bem, enfim, pneu reparado, próximo estágio da preocupação: o reparo, naquele furo gigante, vai segurar ????????
[você consegue ver o tamanho do reparo na foto?]
[veja as conclusões de ouro do episódio no próximo post]
Saindo de São Jorge em direção a Alto Paraíso, caminho bem sinalizado, depois de uns 10 km de terra estacionei a moto e, depois de uma leve caminhada, cheguei ao Vale da Lua. A paisagem explica o nome, belas paisagens com várias piscinas para banho. Dei o meu último mergulho nesse rolê pelo Sertão Goiano.
Como daqui prá casa seriam cerca de 1400 Km, com data de retorno máximo para quarta-feira, resolvi iniciar a volta hoje mesmo. Chegando do Vale da Lua, fiz o check-out na Pousada Trilha Violeta (que vai deixar saudades) e comecei o retorno. Parada em Alto Paraíso para abastecer, calibrar os pneus (que eu tinha murchado para rodar melhor na terra), limpar e lubrificar a corrente. Saí do posto cerca de meio-dia.
Passando São João da Aliança, no meio do NADA, sensação estranha na roda traseira, encostei num lugar esquisito da estrada para checar, não deu outra: pneu traseiro furado.
Com dificuldade, em um local sem acostamento (meio transição da pista com o matagal onde deveria ser o acostamento), coloquei a moto no cavalete central para avaliar o dano: um ROMBO do calibre do meu dedo mínino (quase 1 cm de diâmetro) no pneu.
Com uma fraqueza enorme, peguei o meu kit de reparo de pneus (levei dois, e por sorte, intuição ou seja lá por que motivo, um tinha reparos mais grossos para furos maiores e cola vulcanizante). Limei o furo e inseri o reparo. Cortei o excesso. Peguei o meu cilindro de CO2 para encher o pneu. Moleza!
O único problema é que... o cilindro estava VAZIO! Shit! [tenho ouvido vários relatos de problemas com as válvulas desses cilindros, fui mais uma vítima!]
Pneu reparado sem ter como encher. No meio do nada. Lugar de dar medo. E agora?
Vou ligar para o guincho da seguradora MAS - sem sinal de celular!
Faço sinal e uma pick-up pára. O dono gentilmente me empresta o seu celular para ligar (que tinha sinal, evidentemente) - e no 0800 do Banco do Brasil (nunca mais faço seguro com eles!) me informam que não poderiam mandar socorro por se tratar de dano pneumático. Simples assim eles deixam o segurado, em situação desesperadora, na mão, sem o menor pingo de dor na consciência. Como o celular era emprestado, nem perdi o meu tempo mandando o atendente para onde devia mandar. Afinal de contas, ele devia estar se sentindo bem seguro em uma sala com ar condicionado, no Rio de Janeiro (todos os atendendtes do Banco do Brasil que eu já falei tem sotaque carioca).
Na seqüência, pedi socorro para um caminhão que tinha Rodoar (aquele sistema que enche o pneu dos caminhões em viagem). Foi difícil para adaptar o Rodoar na válvula Schrader do pneu (precisou de um adaptador especial que por sorte o caminhoneiro tinha na caixa de ferramentas). Mas deu certo: sucesso! Pneu reparado e cheio!
Se não fosse o Sr. Ivan, o caminhoneiro, o meu anjo da guarda do dia, eu tava lascado. Olhando para trás agora que deu tudo certo, agradeço ao Altíssimo a ajuda imprescindível do Sr. Ivan, e espero que o Banco do Brasil vá à falência (se depender de mim vai, ô seguradora ruim de assistência) e que o atendente que me largou na mão arda no mármore do inferno. Ou não, uma vez que se ficasse esperando o guincho lá provavelmente ficaria horas parado naquele lugar ermo e inseguro... [na prática, não fez diferença ter ou não ter acesso a socorro mecânico]
Não fosse o Sr. Ivan, eu provavelmente teria que tirar a roda traseira, pegar uma carona, ir até um posto para encher o pneu e pegar uma carona de volta, largando a moto na beira da estrada... Bom, pelo menos assim a moto poderia ser roubada, e pelo menos assim o Banco do Brasil ia se dar mal (ou iam inventar alguma para não me pagar, do jeito que são filhos da p...). Detalhe: posto, só 50 km para trás ou 50 km para frente...
Bem, enfim, pneu reparado, próximo estágio da preocupação: o reparo, naquele furo gigante, vai segurar ????????
[você consegue ver o tamanho do reparo na foto?]
[veja as conclusões de ouro do episódio no próximo post]
Assinar:
Postagens (Atom)
