sexta-feira, 25 de junho de 2010

Notícias a partir de Grão Mogol


Prezados garupas, por motivo de inacessibilidade à internet, agora posto o que deveria ter postado antes...


Dia 20 de junho - Grão Mogol (depois que fiz a última postagem)

Soaram os sinos da Igreja de Grão Mogol. Decidi assistir à missa. Cheguei lá mais de 1 hora antes do início.

Por dentro a pequena igreja de pedra é maravilhosa. Não se sabe ao certo quando foi construída, mas estima-se que tenha mais de 200 anos. Passou por um processo de restauração há 2 anos, realmente, muito bonita.

O bom de ter chegado cedo foi a oportunidade de ficar conversando com pessoas da comunidade. Seu Walduk conversou amigavelmente comigo, e me passou várias dicas do caminho que farei amanhã, por estradas de terra aqui da Serra. E contou várias histórias do local, desde o tempo dos escravos e dos Barões.

Conheci também outro senhor que é filho do antigo padre de Grão Mogol (isso mesmo). Melhor dizendo, um dos ONZE filhos do padre. Pela conversa, isso não gerou nenhum constrangimento na comunidade (me lembrou a história da Maria Mutema e do Padre Ponte contada pelo Jõe Bexiguento em Grande Sertão - Veredas).

Depois a celebração da missa.

Amanhã o dia será duro. Aguardem a próxima postagem...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

SMS

Estou em Itacambira. Aguardem notícias bombásticas sobre Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins.

domingo, 20 de junho de 2010

Grão Mogol

Ontem tive a honra de conhecer (pessoalmente) o Pablo, sua namorada, o Marcus Vinicius e sua namorada, com os quais jantei. Muito boa a conversa que tivemos! Meus sinceros agradecimentos à recepção que tive! Muito obrigado, amigos!


Agora, cheguei a Grão Mogol: e hoje não tem foto de novo! (o computador não permite...) - e a conexão é uma tosqueira só! Amanhã escreverei um pouco mais - agora é só para noticiar aos amigos minha chegada a Grão Mogol.


A estrada: BR-251 (Montes Claros direção BR116 - Salinas - Bahia): primeiros 30 km uma porcaria (buracos, facões na pista - aqueles calombos no sentido do rolamento ocasionados pela tração dos pneus dos caminhões -, irregularidades, aquele asfalto brilhante derrapante e caminhão atrás de caminhão). Depois, ela está reformada, fica boa até o entroncamento com a estrada para Grão Mogol que está ASFALTADA (nos guias e no GPS constava que era de terra) com um asfalto que dá vontade de descer da moto e beijar, daquele lisinho como mesa de sinuca e bem aderente. A paisagem é espetacular...


A cidade: histórica. Muito antiga (bem antes de 1800 - na época da busca de ouro e pedras preciosas). As pessoas acham que a Estrada Real começa em Diamantina, mas na verdade ela começa aqui em Grão Mogol. Pavimentação e muitas edificações de pedra (tipo uma São Tomé das Letras). Hotel por R$ 25,00 (imagina o naipe). Cidade bem pequena (sem sinal de celular: meu sonho de consumo!) - muita tranquilidade. Clima serrano (Serra Geral). Houve um tempo em que Montes Claros era distrito de Grão Mogol. Hoje na cidade de Grão Mogol moram cerca de 6 mil pessoas, e em Montes Claros são 400 mil...



O livro (Grande Sertão: Veredas): perto de Grão Mogol Riobaldo desiste de acompanhar Zé Belelo, antes de re-encontrar Diadorim e de se avassalar a Joca Ramiro. Para Grão Mogol Riobaldo, Diadorim, Alaripe e a turma de Titão Passos rumam para se juntar à jagunçagem para dar prazo à vingança da morte de Joca Ramiro. Em Grão Mogol nasceu Freitas Macho, jagunço amigo de Riobaldo.


O almoço: Feijão tropeiro e Skol. Uêba!!!!!!


O Céu: azul eterno nessas épocas pelo sertão. Chuva, só no fim-do-mundo!


Saudades da Antonela e do Vítor!


Aguardem - mais notícias em breve!


"O que o medo é: um produzido dentro da gente, um depositado; e que às vezes se mexe, sacoleja, a gente pensa que é por causas: por isso ou por aquilo, coisas que só estão é fornecendo espelho. A vida é para esse sarro de medo se destruir; jagunço sabe. Outros contam de outra maneira." - jagunço Riobaldo



sábado, 19 de junho de 2010

Hoje não tem foto!

19 de junho - sabadão - Primeiro dia da Expedição

Cá estou eu no Nobre Palace Hotel (apesar do nome, tem 1/4 de estrela) em Montes Claros.

Rodei 1040 Km. Não bati nenhuma foto. Parei só para abastecer e, no decorrer do dia, só comi umas castanhas. Resultado: percurso completado com total tranquilidade em 12h.

IMPRESSÕES...

... DAS ESTRADAS: A Fernão Dias todo mundo já sabe (está muito boa para rodar, o problema são aquelas pinturas malditas que quando chove o motociclista vai para o chão - aos poucos estão recapeando e elas estão desaparecendo, mas ainda tem algumas como "armadilha" - em que pese que peguei zero de chuva).
Depois. a BR-040: o trecho inicial depois de BH, uns 20 Km tá uma porcaria, depois melhora (a rodovia está em obras de duplicação).
E depois, a BR 135: está muito boa! Apenas algum embaço em pontos em que estão alargando as pontes, aí fica naquele esquema siga e pare, com uma das mãos rodando por vez e a outra parada, isso comprometeu bem o rendimento final. Mas está muuuito melhor do que eu esperava.

... DOS MINEIROS (dirigindo): até Deus duvida do que os mineiros conseguem fazer no volante. Legítimos barbeiros.

... DO CLIMA: virei picolé de manhã. Minha mão parou de doer às 9h da manhã (saí de casa às 5 da matina) e eu descongelei por completo às 10h. Por sorte, eu tenho uma mega super luva de inverno, pena que ela ficou no guarda roupa em casa.

... DO QUE A ANTONELA IA GOSTAR: das paisagens dos Gerais, das encostas das serras, do cerrado

... DO QUE ELA NÃO IA GOSTAR: de não comer o dia todo, do calor senegalês que fez à tarde, do naipe do Hotel onde estou agora

PONTOS ALTOS:
Avistar o Morro da Garça ("tão bonito quanto uma palavra") - esse local merecerá maior destaque futuramente, voltarei a ele!
Chegar nos Gerais e andar de moto nos Gerais de Lassance (onde Diadorim morava - Os Porcos)
Estar são e salvo aqui em Montes Claros!

Estou esperando o Pablo, irmão do Rodrigo Martuscelli, grande colega meu da Poli, que é daqui de Montes Claros. Comer um troço e trocar umas idéias.

E amanhã tentarei seguir uma trilha que pode me levar diretamente ao rastro de Diadorim, em momento primordial de sua vida. Até lá, até lá! Até lá!

[ia esquecendo: Cleber, fiz o seu caminho para pegar a Fernão via Rodoanel - Caieiras - Mairiporã. Bem legal por aí!Conste que não precisa mais desviar da Fernão por Mairiporã em virtude do problema com o viaduto: agora o fluxo é desviado por um trecho de mão dupla na pista sentido BH-SãoPaulo.]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago e a véspera...

Hoje perdemos José Saramago - não há como deixar de citá-lo, como reverência ao seu legado. Impossível não admirá-lo: ateu, comunista, contestador feroz daquilo tudo que a sociedade faz para reduzir o nosso valor como humanos.

"Nossa única defesa contra a morte é o amor" - José Saramago

Agora estou nos preparativos finais da viagem. Amanhã parto para Montes Claros.
Até lá, até lá. Até lá!

domingo, 13 de junho de 2010

PLAY


Próximo sábado, dia 19 de junho, saio de São Paulo para seguir as trilhas dele (João Guimarães Rosa) pelo Sertão e pelas Veredas. Quem quiser acompanhar na minha garupa, vamos descobrir juntos nesse Blog aonde essa trilha nos leva. Até lá, até lá. Até lá!

"Não fosse meu despoder, por azías e reumatismo, aí eu ia. Eu guiava o senhor até tudo.
Lhe mostrar os altos claros das Almas: rio despenca de lá, um afã, espuma próspero, gruge; cada cachoeira, só tombos. O cio da tigre preta na Serra do Tatú - já ouviu o senhor gargaragem de onça? A garôa rebrilhante da dos-Confins, madrugada quando o céu embranquece - neblim que chamam de xererém. Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem dono foi Diadorim...(...) Por esses longes todos eu passei, com pessoa minha ao meu lado, a gente se querendo bem. O senhor sabe? Já tenteou sofrido o ar que é saudade? Diz-se que tem saudade de idéia e saudade de coração..."
- Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas

"Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso..."- Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas


quinta-feira, 6 de maio de 2010

PAUSE


Amigos, vejam que o blog está em pausa.
O Vítor pequeno, os momentos maravilhosos que passamos com ele e o saco cheio da raça humana me fazem ter vontade, nesse momento, de me expor o mínimo.
Algum dia desses volto a editar o nosso MOTOblog.
[em tempo: não pensem que parei de andar de MOTO... em junho já está programada a próxima MOTOaventura. Só não sei se levarei BLOGgarupas dessa vez. Aguardem]

Antes de encerrar esse momento:

"Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!" [Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa]

"Muita coisa importante falta nome." [Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa]

"Carece de ter coragem. Carece de ter muita coragem." [Jagunço Reinaldo - Diadorim - Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa]

"Viver é um descuido prosseguido." [Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa]

"Eu avistava as novas estradas, diversidade de terra. Se amanhecia num lugar, se ia à noite noutro, tudo o que podia ser ranço ou discórdia consigo restava para trás. Era o enfim. Era." [Jagunço Riobaldo - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa]

Até lá, até lá! Até lá!